Segurança Pública

Atlas da Violência: Negros e jovens são as principais vítimas de homicídios no Acre

Dados do Atlas da Violência mostram que jovens de 15 a 29 anos e a população negra são os alvos preferenciais da criminalidade no estado.

Por Redação Acre em Pauta 26/05/2026, 14:56:02
Os dados mais recentes do Atlas da Violência, elaborados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), traçam um perfil preocupante da criminalidade no Acre. O levantamento aponta que a maioria das vítimas de homicídios no estado faz parte de dois grupos específicos: homens negros e jovens com idade entre 15 e 29 anos. Essa tendência reflete a continuidade de um cenário de vulnerabilidade social que atinge diretamente as periferias dos municípios acreanos. De acordo com o relatório, o recorte racial é um dos fatores mais marcantes na análise da violência local. A taxa de homicídios de pessoas negras supera significativamente a de não negros, evidenciando uma desigualdade estrutural que se manifesta na segurança pública. Especialistas indicam que a falta de oportunidades de emprego e o acesso precário à educação básica contribuem para que este grupo esteja mais exposto aos conflitos de organizações criminosas que disputam territórios no estado.
No que diz respeito à juventude, os números reforçam a necessidade de políticas públicas focadas na prevenção. A faixa etária que compreende o final da adolescência e o início da vida adulta concentra o maior volume de mortes violentas intencionais. Para o Acre, que faz fronteira com países produtores de drogas, o desafio é duplo: conter o avanço do tráfico e impedir que o jovem seja coopetado pelo crime organizado, que hoje é o principal motor das estatísticas de letalidade apresentadas no Atlas. Diante do cenário exposto, o estudo reforça a urgência de uma atuação que vá além do policiamento repressivo. O Atlas da Violência sugere que o enfrentamento ao crime no Acre requer investimentos em áreas sociais e de inteligência, integrando as forças de segurança com redes de assistência e desenvolvimento humano. Sem essas medidas, o estado corre o risco de perpetuar um ciclo de violência que compromete o futuro de uma geração inteira de acreanos.